Depoimentos,

A Febre do Exagero. 


Fernando Alves, chefe editor da Longarina. 

Fernando Alves, sobre a Febre. 


Jogado aos teus pés

Se intitulo esse comentário breve sobre A Febre do Exagero com uma referência direta ao poeta Cazuza, a intencionalidade existe. Logo nas primeiras músicas que escutei, então tocadas nos rádios, percebi que o Brasil assistiria a ascensão de um gênio. Não deu outra!

Percepção similar foi a minha quando comecei a ler as primeiras páginas desse romance do Caique Gomes. Como editor experiente, eu já me preparava para oferecer a usual lista de orientações para estreantes (todo editor tem uma dessas na cabeça), mas não foi isso que aconteceu. Nada disso.

Fui lendo as páginas que desciam no meu notebook, marcando no rosto espantos e sorrisos e interjeições surdas. E de repente percebi que eu já não lia o livro: o livro é que me lia, provocando a emoção que quisesse dentro e fora de mim, corpo e alma.

"Um dos primeiros passos dos que não levam a sério a literatura é checar quantas páginas a obra possui." Sim! O livro me disse isso! Logo de cara! E ficou me espiando, a página quase ganhando orelha, pra verificar minha reação. Quase uma ereção! Mais umas tantas páginas descidas na tela e minha suspeita se confirmava: eu tinha um original de alta literatura nas mãos. Uau!

Raridade. Caique costura metalinguagem e intertextualidade no cenário de uma São Paulo cinzenta, cuidando para que o enredo seja conduzido com o mesmo cuidado com que tece a trama do romance. Personagens fortes duelam com palavras e ideias e gestos, num misto de literatura e dança.

Leia, pense e dance!


Nicoly Russo, poeta e designer. 

Nicoly Russo, sobre a Febre.


Uma narrativa frenética onde a boca do escritor está aberta para o avanço violento, um tanto conformado e denso de uma absoluta cegueira. A Febre é um colapso entre a derme do afeto e a epiderme do luto. Um passeio ora gentil ora agoniante, por um memorial de uma guerra recente, ainda exposta, ainda gotejando na luz noturna e no peito. Uma negação de partidas acompanhada de um banquete de delírios onde tudo, absolutamente tudo pode ser literatura desde o desdobramento do presente e passado, até mesmo goteiras e vestidos de laço. Romance esse, que o faz visitar, conhecer e repudiar uma outra vertente da dor.


Renan Silva, músico e desenhista. 

Renan Silva, sobre a Febre. 


É uma história envolvente, montada de uma forma muito particular. As passagens dos tempos e as reviravoltas são encaixadas como um quebra cabeças. Personagens complexos e cheios de camadas que acho que haverá uma discussão séria sobre quem realmente é o protagonista desse livro. Guardo para mim, o antagonismo cínico de um dos personagens, rico em falhas. Se procura personagens perfeitos e irreais, este não é um livro para você. E o equivalente poético de tudo é a cereja do bolo dos assuntos indiretos e muito importantes para nossa realidade. É um livro que causa incômodo e ao mesmo tempo te prende. Faz de nós um personagem vivo da história, fazendo-nos pensar sobre escolhas, desejos e finito. Uma obra linda.


Dayana Silva, professora e poeta. 

Dayana Silva, sobre a Febre


Não me convencem os contos de fadas muito menos as fadas quem dirá os contos me convencem os tombos de falhas dos tolos analfabetos no amor a febre me veio por dentro como se fosse possível que aviões voassem dentro das peles quem sabe tórax quem sabe peitos ao lado esquerdo imortais é possível que a história que se passa se passe também em viadutos do passado e do futuro é possível que jamais se passe no presente é possível que esteja se passando nesse exato instante em qualquer hospital piscina bar rio de janeiro quarto autoescola de São Paulo mas sem dúvidas não acredito em nada não acredito em ninguém prometo não estar acreditando em paranoias em que o autor seja realmente quem ele diz ser.


Hermínio Neto, poeta e escritor. 

Hermínio Neto, sobre a Febre


Lendo "A Febre do Exagero", nos perdemos em meio a uma literatura urbana, viciante, e digo "nos perdemos", pois após a leitura, saberão muito bem ao que me refiro.  Por se tratar de um labirinto criativo, rico em detalhes linguísticos, cenográficos e principalmente sensoriais; já que no decorrer da leitura vamos percebendo como tudo está ligado de uma forma intensa, tênue e caótica - positivamente falando. A linguagem nos coloca em cenários absurdamente "reais" em nosso imaginário, e ouso dizer se caso você não se considere, e até pode não ser/ter imaginação suficiente para degustar uma obra como esta, mas há de se surpreender com o que se formará em sua mente, pois a dimensão literária que Caique nos proporciona é espetacular, nos deixando desconcertados, tentando expressar o que sentimos ao experienciar algo tão profundo e ao mesmo tempo escancarado, como a trajetória ali existente. Me senti febril de formas inimagináveis, enquanto me deliciava lendo "A Febre do Exagero". Por isso lhes digo: leiam de alma, mente e corpo totalmente abertos! Posso descrever esta obra como: GENUÍNA!

Caique Gomes 2019
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